ana c pega um voo

passo toda a tarde olhando reproduções de fotos

de ana cristina cesar me detenho impaciente

naquele adeus que somente ri na luz muito clara

percebo as datas e brasília e bariloche surgem

em postais que poderiam ter chegado e nunca

vieram bater ali na porta

em casa tinha uma foto grande horizontal

da minha mãe em bariloche mesmo ano

pra ela ainda não existia brasília e ela era a mulher

que um dia viria a ser a minha mãe

era o broto como talvez dissessem nos bailes

em que ela sorria de não estar num mesmo lugar

a ana cristina cesar era um ano mais nova

mas elas têm leão em plutão

uma passa a vida deixando-se jovem num voo

a outra fez passar a morte num respiro que não basta

as fotos censuram devo ter lido isso em algum lugar

o instante em que eu não tinha ainda as tardes

para olhá-las no corredor da casa


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